Reforma Tributária e os impactos para fisioterapeutas: o que muda na prática?

A Reforma Tributária já foi aprovada e começou a ser implementada gradualmente a partir de 2026. Seu principal objetivo é simplificar a cobrança de impostos, reduzir a burocracia e trazer mais transparência para quem produz e presta serviços.

Para o fisioterapeuta que atua como autônomo (CPF) ou possui CNPJ, algumas dúvidas são inevitáveis:

  • Os impostos vão aumentar?
  • O Simples Nacional vai mudar?
  • É preciso fazer algo agora?

Neste artigo, conversamos com a contadora Thais Amante, especializada na área da saúde, para explicar, de forma clara, objetiva e segura, o que realmente muda para a fisioterapia e quais são os principais pontos de atenção.

O que é a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária altera a forma como o Brasil cobra impostos sobre o consumo (bens e serviços). Atualmente, quem presta serviços paga principalmente:

  • ISS (municipal)
  • PIS (federal)
  • COFINS (federal)

A principal mudança é a substituição desses tributos por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado dual (IVA).

Na prática, isso significa a criação de dois impostos que seguem regras semelhantes, mas são divididos entre diferentes esferas.

Com a Reforma, os tributos atuais serão substituídos por:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal que substituirá o PIS e COFINS.
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo que substituirá ISS e ICMS, sendo compartilhado entre estados e municípios.

Entretanto, é importante lembrar que a mudança não acontece de forma imediata. A transição será gradual, ocorrendo entre 2026 e 2033.

Como fica o ISS para o fisioterapeuta?

Aqui é importante esclarecer um ponto técnico.

Atualmente, profissionais que não estão no Simples Nacional recolhem ISS diretamente ao município. Com a Reforma Tributária, esse imposto será substituído pelo IBS, o que pode alterar tanto a forma de cálculo quanto a alíquota efetiva, a depender da regulamentação final.

Para fisioterapeutas optantes pelo Simples Nacional, o cenário é diferente. Nesse regime, o ISS já está incluído no DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), ou seja, ele não é pago separadamente.

Além disso, o Simples Nacional continuará existindo após a Reforma.

No entanto, o principal ponto de atenção não é exatamente o “fim do ISS” para quem está no Simples, mas sim como a CBS e o IBS poderão ser tratados, dentro ou fora do DAS, em determinadas operações.

O ponto estratégico: atendimento para outros CNPJs

Se você presta serviços para empresas (clínicas, hospitais, planos de saúde e outros CNPJs), este é um dos pontos mais importantes da Reforma Tributária para a sua atuação.

O novo sistema passa a ser não cumulativo, ou seja, permite a geração de créditos tributários ao longo da cadeia de prestação de serviços.

Isso significa que empresas contratantes podem exigir o destaque de CBS e IBS na nota fiscal para aproveitamento desses créditos.

Dependendo da regulamentação final, pode haver situações em que:

  • Parte da CBS e do IBS não esteja integralmente incluída no DAS.
  • Seja necessário realizar recolhimento complementar fora do Simples Nacional em operações entre empresas.

Essa questão ainda depende de regulamentação detalhada, mas já é considerada tecnicamente relevante.

Ou seja: para fisioterapeutas que atendem principalmente pessoas físicas, o impacto tende a ser menor. Já para quem presta serviços para outras empresas (CNPJ), a análise tributária precisará ser mais cuidadosa.

A carga tributária da fisioterapia vai aumentar?

A regulamentação da Reforma Tributária ainda está em andamento e deve definir pontos importantes, como:

  • Percentual exato de redução de alíquotas;
  • Regras específicas para profissionais liberais;
  • Tratamento dos novos tributos dentro do Simples Nacional.

Por isso, não é possível afirmar, de forma geral, que os impostos “vão aumentar” ou “vão diminuir”.

O impacto vai depender diretamente da estrutura de cada profissional: o regime tributário adotado, o tipo de atendimento realizado (pessoa física ou jurídica) e o volume de despesas que podem gerar créditos.

Anexo III e Anexo V: por que isso continua sendo decisivo?

Para fisioterapeutas optantes pelo Simples Nacional, o enquadramento correto já é estratégico e continuará sendo com a Reforma Tributária.

Isso porque o Fator R é o que determina em qual anexo o profissional será tributado:

• No Anexo III (alíquota inicial menor)
• No Anexo V (alíquota inicial maior)

O Fator R é um cálculo previsto na Lei Complementar nº 123/2006 e considera a relação entre a folha de pagamento e o faturamento da empresa.

Na prática, o cálculo considera a soma do valor pago em salário, pró-labore e encargos nos últimos 12 meses, dividido pela receita bruta do mesmo período.

Quando a folha de pagamento representa pelo menos 28% do faturamento, o profissional pode se enquadrar no Anexo III, com uma carga tributária menor.

Com a Reforma, manter uma boa organização da folha e do pró-labore tende a se tornar ainda mais relevante.

Isso porque dois fisioterapeutas com o mesmo faturamento podem ter cargas tributárias muito diferentes, dependendo de sua estrutura.

E quem atua como autônomo (CPF)?

Para o fisioterapeuta que trabalha como pessoa física, a Reforma Tributária não traz mudanças diretas na tributação atual. Isso porque:

  • O Imposto de Renda (Carnê-Leão) continua existindo;
  • A Receita Saúde continua obrigatória;
  • O INSS permanece devido;
  • E não há alterações no Imposto de Renda da Pessoa Física.

No entanto, pode tornar ainda mais estratégica a decisão entre permanecer no CPF ou migrar para CNPJ, dependendo do faturamento e da estrutura de despesas.

O que realmente define o impacto da Reforma?

O impacto não está relacionado apenas a alíquota. Ele envolve uma combinação de fatores como faturamento mensal, percentual de despesas, existência de funcionários, estrutura de pró-labore, tipo de atendimento (particular ou empresarial), município de atuação e regime tributário escolhido.

A Reforma muda o sistema, mas o resultado prático depende da organização de cada profissional ou empresa.

A transição será gradual, e isso é uma vantagem

A implementação ocorrerá ao longo de vários anos, o que permite que fisioterapeutas adotem ações práticas com planejamento e tranquilidade.

Esse período de transição é uma ótima oportunidade para simular cenários tributários, avaliar e ajustar o regime tributário, revisar contratos com CNPJs, reavaliar a precificação dos serviços e organizar o fluxo de caixa.

Quem se antecipa toma decisões com mais segurança. Já quem ignora essas mudanças pode acabar tendo que corrigir rotas às pressas.

Planejamento tributário: o diferencial do fisioterapeuta empreendedor

Planejamento tributário não significa pagar menos imposto de forma arriscada. Significa pagar corretamente, escolher o regime mais adequado, estruturar folha de pagamento de forma estratégica e avaliar os impactos futuros das decisões.

A fisioterapia é uma profissão da área da saúde. Porém, quando exercida como atividade econômica, também se torna um negócio. E todo negócio exige gestão!


Como a Reforma impacta a emissão de Notas Fiscais?

A Reforma Tributária também trouxe mudanças relevantes na forma como as notas fiscais funcionam no Brasil. Com a implementação da CBS e do IBS, o sistema de créditos tributários foi reestruturado.

Para fisioterapeutas e clínicas, isso significa que a emissão de notas fiscais passa a refletir uma nova lógica de tributação, com impactos diretos no fluxo de caixa e na apuração de impostos.

Em 2026, ainda há inconsistências entre diferentes plataformas, atualizações frequentes nos softwares de gestão e dúvidas sobre como proceder em situações específicas.

Essa instabilidade é esperada em uma transição de tamanha magnitude e não se trata de uma dificuldade isolada. É uma realidade enfrentada por profissionais em todo o país.

Além disso, cada município está adaptando seu sistema de emissão de NFS-e em ritmos diferentes. Na prática, isso pode gerar variações na forma como os serviços de saúde são tributados, dependendo da localização da clínica.

Os créditos tributários disponíveis também passam a depender da forma como cada município implementa as novas regras.

Para quem utiliza sistemas de gestão, como o ZenFisio, é natural perceber que alguns recursos ainda não estão totalmente adaptados à Reforma. Isso ocorre justamente porque muitas cidades brasileiras ainda estão em fase de adequação.

Seu software de gestão precisa estar sincronizado com as regras do município no qual você atua, refletindo corretamente as alíquotas da CBS/IBS e os créditos tributários disponíveis, sendo este o desafio técnico real que afeta toda a operação.

Nesse contexto, o principal desafio é garantir que o sistema esteja alinhado às regras do município em que você atua, refletindo corretamente as alíquotas de CBS/IBS e os créditos tributários aplicáveis.

Diante desse cenário, é fundamental acompanhar as orientações do seu município e, sempre que surgirem dúvidas específicas, buscar o apoio de um especialista.

Essa atenção aos detalhes faz parte de um planejamento tributário estratégico, que diferencia o profissional que apenas cumpre obrigações daquele que realmente gerencia seu negócio de forma inteligente, mesmo em um ambiente de adaptação.


A Reforma Tributária não elimina o Simples Nacional, nem altera o Imposto de Renda da Pessoa Física.

No entanto, ela pode modificar a dinâmica da tributação, especialmente para profissionais que prestam serviços para outros CNPJs.

O impacto não será igual para todos. Por isso, antes de tomar qualquer decisão, é fundamental revisar sua estrutura tributária de forma individualizada.

Informação gera segurança. Planejamento protege sua rentabilidade.

Se você deseja entender como a Reforma Tributária impacta, na prática, em sua atuação como fisioterapeuta, este é o momento ideal para revisar sua estrutura.

Para isso, a ZenFisio conta com a parceria da contadora Thais Amante, especializada em contabilidade para negócios e profissionais da saúde.

Com experiência em enquadramento tributário, organização fiscal e planejamento, Thais auxilia fisioterapeutas e clínicas a tomarem decisões mais seguras e estratégicas diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária.


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